Oh doce e querida interiorana! Sua a beleza e a simplicidade não cabem em uma só cidade e, por isso, se espalham por todo o estado.
Meu primeiro contato com você não foi direto. Acabei te conhecendo por meio de amigos em comum, que ora apenas te conheciam, ora estavam contigo. Tínhamos, você, eu e nossos amigos, tanto em comum, que, querida interiorana, talvez tenha sido assim que surgiu a primeira chama do que hoje posso chamar, sem exagero, de amor. Tão bem acompanhada, tão bem recomendada, você só poderia ser mesmo muito legal. Eu, já tinha te visto por fotos, achei você bonitinha, com ares de rústica, comedida, tímida. Mas no princípio era só isso: uma admiração.
Em meio ás provas que você me fizera passar, passou a surgir algo mais profundo. Talvez tenha sido no seu português, tão hermético e bem elaborado que faz qualquer metido a besta como eu, suspirar. Ou suas geográficas preocupações ambientalistas, tão descaradas e moderadas, que me fez te ver como uma combinação celestial e perfeita entre alguém ousado e razoável. Ou na sua histórica exibição da Iracema: naquele dia, percebi que você era muito mais bela que a nossa heroína indígena, minha virgem dos lábios de mel.
Quando acabou a última de suas provas, tive a confirmação: eu te desejava. Você me fez retornar pra casa tendo que dividir minha atenção com o trânsito dessa capital caótica e com sonhos da nossa vida interiorana. Nessa vida, ficaríamos juntos pela eternidade ou até que o jubilamento nos separasse. Ainda que o prazo expirasse, a verdadeira felicidade já estaria em nossos corações: estivemos juntos por no mínimo 8 anos. Por você eu enfrentaria a lenda urbana de que os jubilados transformam-se em cachorros, saiba sempre disso.
Mas não podemos ficar juntos, você sabe e eu sei. Ainda que em meio a suas listas você tenha dito que me quer, que eu sou especial, não vai dar. Sou um homem de pouca coragem e fé, vivendo na capital e compromissado com uma família numerosa e amigos valiosos. Pior ainda: confesso o pecado de estar flertando com duas iguais a você, mas que não chegam aos seus pés. Uma delas faz parte da tradicional elite paulista e a outra da classe média reacionária. É com grande vergonha que eu admito minha fraqueza. Em minha defesa eu invocaria até o art. V da Constituição, mas em noma da cidade que eu nunca ocuparei contigo, serei franco, ainda que soe como cafajeste: as duas estavam tão perto e você tão longe.
Se tu soubesses o quanto de amor e carinho tenho por ti, você se instalaria inteiramente na capital paulista.
Mas sei que a sabedoria bíblica é a que melhor se aplica neste caso.Foi dito que os covardes não herdarão o reino dos céus e que os de pouca fé não fazem montanhas se jogarem ao mar. Tirar alguém da sua envergadura do interior necessitaria de muita fé, mas admito: sou fraco. Mas aceito a condição e espero que você seja bem feliz junto de seu novo rapaz, com classificação menor que a minha, mas com coragem muito maior.
Nosso destino, distante, decepcionante, deprimente e desgostoso já está decidido. Prometo, porém, nunca esquecê-la, assim como nunca esquecerei a linda, decidida, atraente e doce moça que conheci em uma viagem, e que o simples ato de ouvir o seu nome me evoca as mais profundas reminiscências. É em nome delas, afinal não são poucas as mulheres lindas e doces que deixamos na estrada, que eu te escrevo e declaro o meu amor, doce Unesp.
Muito Boa Fábio!!!
ResponderExcluirGostei =)
Abraços