sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

À mais doce das interioranas paulistas

Oh doce e querida interiorana! Sua beleza e simplicidade não cabem em uma só cidade e se espalham por todo o estado.

Meu primeiro contato contigo não foi direto. Acabei te conhecendo por meio de amigos em comum, uns que apenas te conheciam, outros que estavam contigo. Tínhamos, você, eu e nossos amigos, tanto em comum, querida interiorana, que talvez tenha sido assim que surgiu a primeira chama do que hoje posso chamar, sem exagero, de amor. Tão bem acompanhada, tão bem recomendada, você só poderia ser mesmo muito legal. Curioso, acabei te vendo retratada em fotos e te achei bonitinha, com ares de rústica, comedida, tímida... Mas no princípio foi só isso: uma admiração...

Foi meio ás provas que você me fez passar que passou a surgir algo mais profundo. Talvez tenha sido no seu português, tão hermético e bem elaborado que fez qualquer metido a besta, como eu, suspirar. Ou suas geográficas preocupações ambientalistas, tão descaradas e moderadas, que me fez te ver como uma combinação celestial e perfeita entre alguém ousado e, ao mesmo tempo, razoável. Ou na sua histórica exibição da Iracema: naquele dia, percebi que você era muito mais bela que a nossa heroína indígena.

Quando acabou a última de suas provas, tive a confirmação: eu te desejava. Você me fez retornar pra casa tendo que dividir minha atenção entre o trânsito dessa capital caótica e os sonhos da nossa vida interiorana. Nessa vida, ficaríamos juntos pela eternidade ou até que o jubilamento nos separasse. Ainda que o prazo expirasse, a verdadeira felicidade já estaria em nossos corações: estivemos juntos por no mínimo 8 anos. Por você eu enfrentaria a lenda urbana de que os jubilados transformam-se em cachorros, saiba sempre disso. 

Mas não podemos ficar juntos, você sabe e eu sei. Ainda que em meio a suas listas você tenha dito que me quer, que eu sou especial, não vai dar. Sou um homem de pouca coragem e fé, vivendo na capital e compromissado com uma família numerosa e amigos valiosos. Pior ainda: confesso o pecado de estar flertando com duas iguais a você, mas que não chegam aos seus pés. Talvez eu tenha diminuído meus padrões, talvez você o tenha aumentado. É com vergonha que admito minha fraqueza. Em minha defesa eu invocaria até o art. V da Constituição, mas em nome da cidade que eu nunca ocuparei contigo, serei franco, ainda que soe como cafajeste: as duas estavam tão perto e você tão longe. 

Se tu soubesses o quanto de amor e carinho tenho por ti, se instalaria inteiramente na minha cidade. 

Mas sei que a sabedoria bíblica é a que melhor se aplica neste caso. Foi dito que os covardes não herdarão o reino dos céus e que os de pouca fé não fazem montanhas se jogarem ao mar. Pra tirar alguém que tem a envergadura do interior é necessária muita fé, e admito: sou fraco. Mas aceito a condição e espero que você seja bem feliz junto de seu novo rapaz, com classificação menor que a minha, mas com coragem muito maior.

Nosso destino, distante, decepcionante, deprimente e desgostoso já está decidido. Prometo, porém, nunca esquecê-la, assim como nunca esquecerei a linda, decidida e doce moça que conheci em meio à estrada, e que o simples ato de ouvir o seu nome me evoca as mais profundas reminiscências. É em nome delas, afinal não são poucas as mulheres lindas e doces que deixamos no caminho, que eu te escrevo e declaro o meu amor, querida Unesp.