domingo, 21 de março de 2010

Entendimento

E mais uma vez Jonas sai de sua casa para uma cidade da Grande São Paulo. Ele é acostumado a andar grandes distâncias por uma mulher. Ainda mais quando é bonita, ele nem liga. E esta é. Definitivamente, ela está no seu Top Five, lista que não significa muita coisa, ele bem sabe. Mas Patrícia é uma gata, acreditem!

E lá vai o Jonas. Chega na casa da moça, espera uma eternidade, mas quando ela chega abre o sorriso como se nada tivesse acontecido. Ela pede desculpas pela demora. Típica coisa de segundo encontro, onde os dois envolvidos ainda mascaram muito do que sentem. Nesse caso, a raiva por ter esperado, no caso dele, e a completa falta de preocupação com a espera, no caso dela.

Saem os dois no carro, conversando sobre amenidades quando algo de mais grave ocorre. Patrícia, que se auto definiu como confusa desde sempre, diz para Jonas que os dois precisam conversar. E o frio corre pela espinha de Jonas. Ele temia esse momento, embora já o esperasse. Tinha percebido, sem qualquer auto definição da moça, que Patrícia era confusa, mas achava que o inevitável “pé-na-bunda” ocorreria depois de mais alguns encontros. No segundo encontro, ele pensa, é muito azar.

E Patrícia se põe a falar e falar. Fala que não é acostumada a sair com pessoas como o Jonas, que parecia ser muito apressado. Fala também que tem medo de se machucar. Disse também que tem medo de Jonas se machucar o que deveria ser evitado a qualquer custo. Mas também que Jonas lembra um ex-namorado dela, triste coincidência. Ela ainda diz que gosta de Jonas, não tanto quanto daquele ex-namorado, mas lembra que o Jonas é uma pessoa muito legal. Na verdade, ela se recorda que nem gosta tanto desse ex-namorado, apenas se sentia confortável com ele, coisa de acomodação, entende!? Pensando bem, a pressa do Jonas era coisa boa, se você pensar bem. Mas a pressa poderia atrapalhar, afinal ela pensa de novo e conclui que nem gosta tanto assim do nosso amigo. Gosta mesmo do Ex. Ela diz que tá confusa, tem medo de se machucar, definitivamente.

-Você entende, Jonas?

Jonas que havia ficado hipnotizado na primeira jogada de cabelo e se perdido na primeira contradição de Patrícia, se vê num impasse. O que falar? Ele não entendeu bulhufas do falado, mas decide que diante de tudo, o melhor era fingir que entendia. E diz:

-Eu te entendo sim, perfeitamente.

-Como você pode entender se nem eu entendo – ela respondeu.

E pra desespero de Jonas, covardemente emendou:

-O que eu disse então?

E a batatinha quente voltou pra mão de Jonas. “Fodeu de vez” ele pensa. Após um breve momento calculando e calculando ele decide jogar a toalha, desiste de vez. Alegria de pobre dura pouco, ele sabia que cedo ou tarde a Patrícia ia ficar confusa se queria sair com ele. Ele enche o peito e diz:

-Pelo que eu entendi você não quer mais sair comigo, certo!? - Ele fala em tom de choro.

-Não é nada disso, acho que é justamente o contrário. Eu acho que to gostando de você...

A conversa continua. Mas Jonas ficou com o pé atrás, sua intuição dizia o contrário, ele bem sabe. Mas ser elogiado pela Patrícia era bom demais pra ser verdade, ele pensa. “Porque não aproveitar!?”

E o que se seguiu, parafraseando Machado de Assis, foi o “eterno” diálogo de Adão e Eva.

Acontece que na ocasião do terceiro encontro, Jonas já se preparava pra sair de casa quando recebeu uma mensagem de Patrícia. A confusa mensagem, em meio a frases dispersas tinha um recado quase claro: ela não queria mais sair com ele.

“Eu estava certo desde o início!” Ele pensou.

Mesmo assim, como todo homem bobo que se preza pensou duas vezes, talvez pudesse ter feito algo de errado. Quando se preparava para ligar pra Patrícia, um rompante de lucidez e auto-estima bateu em si. Talvez fosse a intuição, talvez fosse a racionalidade. Na verdade, talvez tenha sido qualquer coisa que faz alguém pensar melhor. Mas uma coisa era clara para Jonas:

Os dois não se entendiam muito bem. Definitivamente.

2 comentários:

  1. Ah, Jonas, meu brother! rs
    Faltou aquele aviso: todos os fatos e personagens desse texto são fictícios, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
    Fica uma sugestão, que é apenas uma variação do tema acima: o título do post deveria ser “recorrências”.
    Acho que vc está andando muito em companhia do seu amigo homem-de-lata, vcs estão se fundindo, contaminando (literariamente) um ao outro hehehe
    Engraçado como os termos confusão, pé-na-bunda, impasse, jogar a toalha e intuição andam sempre de mãos dadas. E as mãos dadas são uma ironia.
    O Jonas deveria saber que há muito mais coisas entre o céu e a terra do que imagina nossa vã filosofia, e que, portanto, esse desentendimento faz parte. E que um é pouco, dois é bom e três seria demais mesmo ;-)
    Bjs!

    ResponderExcluir
  2. Seria Jonas um pesonagem? Um alterego de uma pessoa só? Ou o alterego de toda uma parcela da humanidade? Bacana o quão universal o moço dentro da barriga da baleia pode se tornar...
    Interessante notar que toda a relação dele com o sexo oposto sofre com essa nefasta intermediação do celular, que no fim das contas acaba sendo tão confuso quanto a conversa real, palpável.

    Sensacional o comentário da Sarah, realmente muito bom!!

    Abraços

    Caio

    ResponderExcluir