Ana está entediada, jogando paciência em seu computador enquanto suas unhas dos pés secam após ter passado um novo esmalte rosa. Pensa sobre amenidades e sobre coisas importantíssimas, simultaneamente, tendo para cada início de pensamento um desfecho melodramático e depressivo. Pensa no seu ex, no teto de seu quarto que está mofando, na sua carreira como aeromoça, se deveria jantar agora ou mais tarde... Definitivamente, a única conclusão a que ela chega é que está entediada. A sua meditação só é interrompida por uma mensagem recebida no celular, onde o remetente, um número estranho com prefixo 86, afirma ser do SBT e que Ana tinha sido contemplada com um prêmio. Após ligar para o número que solicitaram, Ana vem a saber que havia ganhado uma casa e um carro 0 km, os quais receberia tão logo fizesse a compra de alguns cartões de recarga para celular e passasse esses números ao atendente.
Ana não pode esconder a empolgação, tanto que se esquece de suas unhas pintadas, coloca um tênis e corre para a lotérica mais próxima. No caminho, pensa como dessa vez ela faz parte de algo, como talvez toda a tristeza que sentia tenha sido um crédito com Deus, que agora lhe dera uma casa. Ela sente algo que não sentia há tempos, essa mistura de felicidade e excitação que acredita ter havido no início do namoro com o “Ex”, mas que tinha se perdido no meio do caminho. Talvez agora com essa casa e esse carro ela seja capaz de superar o que ocorrera e partir pra outra. Quiçá tripudiar de seu “ex” passando em frente à sua casa com seu novo carro e um novo paquera. Ana se sente excitada.
Acontece que após passar os números de recarga Ana descobre que tudo se tratava de um golpe e o atendente e o remetente da mensagem estava baseado em algum presídio Piauiense.
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César está carente, assistindo Zorra Total no sábado à noite, após ter comido pizza em excesso com seus pais. Fica sentado, esparramado, com o controle-remoto nas mãos, pensando sobre como precisa assinar uma TV a cabo ou arrumar uma namorada. Pensa, como sempre, em uma gatinha que tem paquerado mas que parece não querê-lo. Será que valeria a pena ligar pra ela? Ou é melhor se fingir forte e resistir? Definitivamente, a única coisa que ele sabe é estar carente. Sua auto-lamentação é interrompida com a vibração do celular. Uma mensagem! César sente um aperto no coração que se torna mais forte quando vê o remetente: é ela! Põe-se a ler a mensagem, que em tons libidinosos revela aquilo que César sonhava: ela o quer. Ela o quer maliciosamente.
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César está carente, assistindo Zorra Total no sábado à noite, após ter comido pizza em excesso com seus pais. Fica sentado, esparramado, com o controle-remoto nas mãos, pensando sobre como precisa assinar uma TV a cabo ou arrumar uma namorada. Pensa, como sempre, em uma gatinha que tem paquerado mas que parece não querê-lo. Será que valeria a pena ligar pra ela? Ou é melhor se fingir forte e resistir? Definitivamente, a única coisa que ele sabe é estar carente. Sua auto-lamentação é interrompida com a vibração do celular. Uma mensagem! César sente um aperto no coração que se torna mais forte quando vê o remetente: é ela! Põe-se a ler a mensagem, que em tons libidinosos revela aquilo que César sonhava: ela o quer. Ela o quer maliciosamente.
César estranha levemente o conteúdo da mensagem, mas sente um misto de espanto e felicidade. Uma combinação de sentimentos que o remete a um episódio de sua infância, quando ganhou uma bicicleta nova de seu pai sem mais nem menos, um presente fora de época. É essa alegria que sente agora, decidindo levantar-se daquele sofá e caçar o que fazer. Não responderá nenhuma mensagem hoje, promete a si mesmo, e por isso decidi ir estudar pro concurso que vai prestar em breve. É hora de pensar no futuro, diz ele. Acaba estudando por duas horas e logo depois vai dormir, com um sorriso no rosto. César se sente completo.
No dia seguinte, responde a mensagem recebendo em seguida a resposta, onde a moça pedia desculpas pelo escrito no dia anterior, foi tudo uma questão de erro na escolha do destinatário. Era tudo um engano.
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Carlos está triste, navegando em páginas da internet enquanto faz seu login no MSN. Seu time perde há cinco rodadas, sua mulher o deixou e seu emprego cobra muito e paga pouco. Enquanto procura algo para distraí-lo, espera ansiosamente encontrar alguém on-line para desabafar. Não encontra ninguém, o que aumenta a sua amargura.
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Carlos está triste, navegando em páginas da internet enquanto faz seu login no MSN. Seu time perde há cinco rodadas, sua mulher o deixou e seu emprego cobra muito e paga pouco. Enquanto procura algo para distraí-lo, espera ansiosamente encontrar alguém on-line para desabafar. Não encontra ninguém, o que aumenta a sua amargura.
Carlos se lamenta, praguejando contra a vida e Deus, quando se surpreende com uma mensagem instantânea de Lucas, seu amigo, mandando-o clicar em um link para ver algumas fotos. Carlos recusa-se a clicar no link, dizendo que na verdade precisava desabafar, passando a escrever desenfreadamente sobre suas situações complicadas na vida financeira, esportiva e, principalmente, amorosa. Toda a conversa se assemelha a um monólogo, que acaba minutos depois, quando Carlos já se sente bem o bastante para agradecer Lucas por tê-lo ouvido e ir embora. Decide que não vale a pena sentir pena de si mesmo. Despede-se de Lucas, fecha seu MSN, e se põe a pensar em coisas boas que tem em sua vida, como sua saúde, família e amigos, que como Lucas, podia contar sempre. Carlos se sente feliz.
Uma coisa que Carlos não sabe é que Lucas não estava no MSN naquela noite. Encontrava-se a dezenas de metros de um computador, em uma piscina, numa festa temática havaiana. A mensagem on-line mandada a Carlos não passava de um vírus, o qual ele não clicou por achar-se depressivo demais para ver fotos de mulheres nuas.
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Três histórias fictícias? Ou não? Até que ponto somos já fomos um pouco Ana, César ou Carlos e ficamos esperando sinais pra mudar a nossa vida como sabemos que precisamos.?Será que realmente tem algo a ver ganhar uma casa pra superar aquele fim de relacionamento? Ou supostamente ganhar uma gatinha e estudar praquele concurso? Ainda, uma vez que tudo pode ser ilusão e pulsos eletrônicos traduzidos em palavras podem revelar mensagens tão ocas e falsas é mesmo de bom grado basear decisões importantes nessas coisas?
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Três histórias fictícias? Ou não? Até que ponto somos já fomos um pouco Ana, César ou Carlos e ficamos esperando sinais pra mudar a nossa vida como sabemos que precisamos.?Será que realmente tem algo a ver ganhar uma casa pra superar aquele fim de relacionamento? Ou supostamente ganhar uma gatinha e estudar praquele concurso? Ainda, uma vez que tudo pode ser ilusão e pulsos eletrônicos traduzidos em palavras podem revelar mensagens tão ocas e falsas é mesmo de bom grado basear decisões importantes nessas coisas?
Muitas vezes os sinais só revelam aquilo que já sabemos e talvez, sem eles, saibamos que seja hora de superar aquele término, estudar para aquele concurso ou ter um pouco de auto-estima. Mas se ainda assim precisarmos de algum empurrão ou sinal, uma boa olhada no espelho pode ser mais eficaz que uma bela mensagem de amor.
Bastante forte e, depois,eu que sou marrom heheheheh!!!
ResponderExcluirUm grande Abraço,
Caio!
Ótimo conto! Parabéns!
ResponderExcluirBjs
"Toda escolha implica
Em perder ou ganhar
Toda estrada a gente pega
E nunca sabe onde vai dar..."
inteligente !!
ResponderExcluirEu e o espelho não somos muito amigos...
ResponderExcluirProcuro olhar para o alto e para dentro!
"Não olhe para tras, não olhe para frente, olhe para o alto!"
Sta Paulina
Muitos bjos