Como bom individuo meio intelectual, meio de esquerda e meio cachaceiro, grande parte da minha reputação é baseada em frases de efeito, faladas em meio às elucubrações etílicas. Essa realidade têm se agravado, agora nesta presente também no meio virtual, onde ao invés de álcool é o sono que causa o entorpecimento. E que fique claro que já fui chamado de “Schopenhauer versão leite C” por um amigo e de “babaca idiota” por um familiar, basicamente, as duas únicas pessoas contidas no seleto grupo que acompanha esse blog. Mas a coisa tá crescendo! Nasce um burburinho na rua sobre os fantásticos dizeres que há nessas crônicas e contos. E quando eu digo rua, minha rua mesmo, mas especificamente um vizinho meu que comprou um computador do Milhão e com sua internet discada só conseguiu ver o meu blog até hoje.
Essa enorme digressão e confissão pouco ou nada têm a ver com essa crônica, talvez apenas pela parte que toca sobre frases de efeito. Hoje, nesse escrito, a frase de efeito é a historiográfica e semiológica “o mundo é governado pelas imagens”. É caro leitor, imagine o que é dito por mim para os co-bebedores embriagados.
Em todo caso, o lance é o seguinte: o mundo é governado por imagens, por sinais. Saber identificá-las garante sucesso, não saber o fracasso.
Os sinais estão em toda a parte, por vezes sua batata está assando no trabalho, sua namorada (o) está te traindo, aquela zoação não está caindo bem, aquela roupa te faz parecer um idiota ou uma piranha, etc. Alguns são fáceis de identificar ficam na cara. Pra ilustrar, no caso dos exemplos acima, respectivamente: você recebe uma carta de demissão; você chega mais cedo em casa e vê um homem nu saindo pela janela; você recebe um soco na cara daquele que você zoava; você tem a mão passada na bunda por um bêbado.
O problema é que os sinais nem sempre estão claros e são os detalhes que podem revelar o que ocorre por baixos dos panos. Uma ligação que seu amásio não atende, umas férias que seu chefe te dá sem você pedir, um sorriso amarelo no rosto daquele que você está tirando sarro, etc. Por serem menores são mais difíceis de perceber, mas quando percebidos podem representar a possibilidade de evitar-se o mal iminente, como já dizia Maquiavel há séculos atrás.
E o pior, muitas vezes os sinais são antitéticos, contraditórios. Exemplo, muitas vezes se você está para ser demitido ou traído, seu chefe ou namorado (a) está sendo muito mais gentil, cordial, amoroso, etc. Ou mesmo, a coisa se complica quando os sinais são meros reflexos fisiológicos: uma piscada, que na verdade é causada por um cisco; uma olhada de canto de olho, que na verdade é oriunda de um tique nervoso; uma jogada de cabelo causada por um xampu vencido usado no banho anterior...
É preciso sensibilidade para identificar os sinais. No meu caso, acho que fica difícil fazê-lo quando se tem a sutileza de uma bigorna e a delicadeza de um trator. São incontáveis as vezes em que recebi sinais claros e agindo com essa presunção me meti nas situações mais constrangedoras, desesperadoras e esdrúxulas. Isto, sem pensar nos tipos de pessoas cujo próximo passo é uma incógnita até para elas mesmas, e a gente acaba se relacionando na vida. Por isso, desisti de identificar os sinais e os ignoro com orgulho.
Não que eu não admire quem consegue ver o não-visto, perceber o que ninguém percebe, etc. Mas é que é tão chato saber todos os próximos passos e não se arriscar sem se ter 95% de chance de acertar, que eu tenho preferido a autonomia, autenticidade e independência de pular do abismo. Isto explica em grande parte a desistência de leituras de livros como “O Corpo Fala” e outras psicologias baratas.
Hoje, vejo filosofia naquele bêbado, que apostou seu corpo em um jogo de truco. Como ele diz profeticamente, “tem que arriscar”. Claro, outra lição que ele me ensinou é nunca apostar a sua própria defloração, em nenhuma hipótese, em nenhum lugar. Nunca!
Então, pra finalizar, parabenizo aqueles que identificam todos os sinais e jogam para ganhar, sempre. Tudo que houver de bom nesse mundo será de vocês. Mas para você, bem aventurado, que nunca acerta uma e só identifica os sinais quando o mal já é irremediável, saiba que será seu o reino dos céus. Se não, pelo menos você terá um pouco de dignidade em ter tentado às cegas, tentado por sua própria vontade e convicção. Se ainda assim não estiver satisfeito, apenas certifique-se de não criar um blog para não ser chamado de idiota e babaca pelos seus leitores.
Mas, ainda assim, um ditado popular deve ser colocado: “quem desdenha quer comprar”. A não ser que se receba um tapa na cara depois do beijo roubado.
Obs.: o autor, eu mesmo, sabe ter cometido aberrações conceituais em confundir o conceito semiológico de imagem com a questão dos sinais. Mas o autor, eu, reserva-se no direito a falar besteira que ser a encarnação do Schopenhauer no terceiro mundo pressupõe e garante.
Essa enorme digressão e confissão pouco ou nada têm a ver com essa crônica, talvez apenas pela parte que toca sobre frases de efeito. Hoje, nesse escrito, a frase de efeito é a historiográfica e semiológica “o mundo é governado pelas imagens”. É caro leitor, imagine o que é dito por mim para os co-bebedores embriagados.
Em todo caso, o lance é o seguinte: o mundo é governado por imagens, por sinais. Saber identificá-las garante sucesso, não saber o fracasso.
Os sinais estão em toda a parte, por vezes sua batata está assando no trabalho, sua namorada (o) está te traindo, aquela zoação não está caindo bem, aquela roupa te faz parecer um idiota ou uma piranha, etc. Alguns são fáceis de identificar ficam na cara. Pra ilustrar, no caso dos exemplos acima, respectivamente: você recebe uma carta de demissão; você chega mais cedo em casa e vê um homem nu saindo pela janela; você recebe um soco na cara daquele que você zoava; você tem a mão passada na bunda por um bêbado.
O problema é que os sinais nem sempre estão claros e são os detalhes que podem revelar o que ocorre por baixos dos panos. Uma ligação que seu amásio não atende, umas férias que seu chefe te dá sem você pedir, um sorriso amarelo no rosto daquele que você está tirando sarro, etc. Por serem menores são mais difíceis de perceber, mas quando percebidos podem representar a possibilidade de evitar-se o mal iminente, como já dizia Maquiavel há séculos atrás.
E o pior, muitas vezes os sinais são antitéticos, contraditórios. Exemplo, muitas vezes se você está para ser demitido ou traído, seu chefe ou namorado (a) está sendo muito mais gentil, cordial, amoroso, etc. Ou mesmo, a coisa se complica quando os sinais são meros reflexos fisiológicos: uma piscada, que na verdade é causada por um cisco; uma olhada de canto de olho, que na verdade é oriunda de um tique nervoso; uma jogada de cabelo causada por um xampu vencido usado no banho anterior...
É preciso sensibilidade para identificar os sinais. No meu caso, acho que fica difícil fazê-lo quando se tem a sutileza de uma bigorna e a delicadeza de um trator. São incontáveis as vezes em que recebi sinais claros e agindo com essa presunção me meti nas situações mais constrangedoras, desesperadoras e esdrúxulas. Isto, sem pensar nos tipos de pessoas cujo próximo passo é uma incógnita até para elas mesmas, e a gente acaba se relacionando na vida. Por isso, desisti de identificar os sinais e os ignoro com orgulho.
Não que eu não admire quem consegue ver o não-visto, perceber o que ninguém percebe, etc. Mas é que é tão chato saber todos os próximos passos e não se arriscar sem se ter 95% de chance de acertar, que eu tenho preferido a autonomia, autenticidade e independência de pular do abismo. Isto explica em grande parte a desistência de leituras de livros como “O Corpo Fala” e outras psicologias baratas.
Hoje, vejo filosofia naquele bêbado, que apostou seu corpo em um jogo de truco. Como ele diz profeticamente, “tem que arriscar”. Claro, outra lição que ele me ensinou é nunca apostar a sua própria defloração, em nenhuma hipótese, em nenhum lugar. Nunca!
Então, pra finalizar, parabenizo aqueles que identificam todos os sinais e jogam para ganhar, sempre. Tudo que houver de bom nesse mundo será de vocês. Mas para você, bem aventurado, que nunca acerta uma e só identifica os sinais quando o mal já é irremediável, saiba que será seu o reino dos céus. Se não, pelo menos você terá um pouco de dignidade em ter tentado às cegas, tentado por sua própria vontade e convicção. Se ainda assim não estiver satisfeito, apenas certifique-se de não criar um blog para não ser chamado de idiota e babaca pelos seus leitores.
Mas, ainda assim, um ditado popular deve ser colocado: “quem desdenha quer comprar”. A não ser que se receba um tapa na cara depois do beijo roubado.
Obs.: o autor, eu mesmo, sabe ter cometido aberrações conceituais em confundir o conceito semiológico de imagem com a questão dos sinais. Mas o autor, eu, reserva-se no direito a falar besteira que ser a encarnação do Schopenhauer no terceiro mundo pressupõe e garante.
Fábio vc é demais!
ResponderExcluirLendo esse conto descobri que vou para o reino dos céus, rsrsrs
Ah! eu leio o seu blog e não te chamo de idiota e nem babaca, rs
Beijo