Jonas está sentado no banco do cursinho preparatório esperando sua amiga, Carla, a qual é sua colega de estudos. Enquanto a aguarda, ela que quase sempre se atrasa, Jonas lê sua apostila, atividade que normalmente o deixa em estado hipnótico, do tipo que não percebe nada do que ocorre no exterior. Este estado é interrompido com uma batida em seus ombros. É Carla, acompanhada de uma amiga.
Ao levantar os olhos, Jonas fita Carla, que pede desculpas pelo atraso e logo apresenta sua amiga, Andréia. Jonas observa rapidamente Andréia antes de levantar-se do banco para cumprimentá-la, o bastante para sentir algumas sensações estranhas, diferentes. Logo, em milésimos de segundos, Jonas começa uma busca na sua mente com o objetivo de definir o que eram as tais sensações. Jonas sempre teve essa mania, talvez obsessão, de definir e caracterizar tudo. Nada o deixava mais aflito do que a dúvida quanto à deifinição de algo. Por isso, era do tipo que escolhia a certeza chata frente a dúvida interessante, o que por várias vezes o prejudicou. Jonas inclusive já tentara acabar com essa necessidade, claramente não conseguiu. Até porque já não era essa a sua crise existencial da semana.
Sim, ele consegue definir o que sentiu como "levemente atraído por Andréia".
Ao cumprimentar Andréia com um beijo no rosto e dizer que era um prazer, Jonas ouve da moça que já não era a primeira vez que eles eram apresentados. Os dois já haviam sido apresentados algumas semanas antes, em uma das salas de aula do cursinho.
Não era a primeira vez que Jonas se via nessa situação. Sua mente volta no tempo aproximadamente três anos. Ele encontra-se no escritório, onde ainda trabalha, quando uma colega de trabalho apresenta-lhe Catarina, em uma situação bastante parecida com a que ocorria no cursinho. Catarina é muito bonita, ao ponto de fazer Jonas rotular suas sensações com um “muito atraído por Catarina”. Ao cumprimentá-la, dizendo que era um grande prazer, Jonas também é surpreendido pelo fato de que ambos já haviam sido apresentados. Em um epifânia de coragem e inteligência, Jonas responde de pronto: "Sabe como é, tenho tentado conhecer o maior número de pessoas ultimamente, seria um grande prazer conhecê-la, ainda mais você, duas vezes."
Sobre o namoro que se engatou por volta de um mês depois da segunda apresentação, Jonas sentiu e sente um turbilhão de sensações. Ultimamente ele tem definido que foi feliz, mas isso pode mudar caso surja uma nova lembrança ruim. Jonas tem alguns problemas de memória. Mas uma coisa ele nunca esqueceu: semanas depois de começar a namorar Catarina, ela revelou que foi na segunda apresentação, mas especificamente com aquela frase engraçadinha que ela passou a vê-lo com outros olhos. Teria sido o primeiro e certeiro passo na sua difícil conquista do coração de Catarina.
O Jonas que está sentado no banco do cursinho encontra-se temporalmente a um ano do término com Catarina. Pouca coisa mudou de lá pra cá, exceto que ele perdeu algum peso, suas crises de consciência deixaram de ser mensais para tornarem-se semanais e seu problema de memória, que já foi chamado de charme, definiu-se agora como um defeito, tornando-se mais crônico.
Depois da lembrança Jonas põe-se a pensar sobre como deveria responder Andréia. Com toda a modéstia a parte, ele se lembra da sua frase certeira, que abriu grandes possibilidades para o namoro posterior com Catarina. Talvez aplicá-la novamente tenha resultado igual ou parecido, quem sabe.
Mas Jonas decide que não. Responde Andréia dizendo que não se recordava dela, causando instantaneamente um mal-estar entre os três presentes. Acontece que a lembrança de Catarina ocupou sua mente de modo que nada melhor lhe ocorrera.
Leva tempo para entender a ação de Jonas, mais tempo ainda para tomar atitude parecida. É certo que não poderia dar a Andréia uma frase que já havia dado anteriormente a alguém que fora tão importante em sua vida. Ou melhor, é certo que ele não queria dá-la. Aquela frase seria apenas de Catarina, como um presente, não importando o fato de estarem juntos, de terem tido tristeza ou felicidade no relacionamento, do término ter sido traumático ou qualquer coisa relativa as lembranças que agora pululam em seu pensamento.
Isto porque o que vale na vida são essas lembranças, boas ou ruins. E o fim do namoro com Catarina, bem ou mal, representou uma gama de recordações, as quais por natureza devem permanecer no passado.
Lembrar da infância, por exemplo, é realmente uma coisa mágica, mas não significa que devamos brincar de esconde-esconde depois de adultos. Ainda mais: Jonas percebeu que se o fizesse, estaria profanando as lembranças da sua juventude, transformando-as em menos específicas do que são, e por isso, menos importantes.
Jonas entendeu que é muito mais importante aquilo que se dá às pessoas frente ao que se recebe. Isto porque o que se dá é interno, e por isso, inexpugnável.
Ele acredita que cada fim é um recomeço, mas que não é bom um recomeço qualquer. E ele quer que seus “recomeços” não sejam melhores nem piores, apenas diferentes. Mesmo que isso faça o clima pesar entre ele e suas amigas. Aquilo que deveras importa, que acontece internamente, que é subjetivo, nunca será atingido por clima ou mal-estar. Nem tampouco deixa de ser com o tempo. Aquilo que é interno, muitas vezes incontrolável, é aquilo que é. Simples e complicado assim.
Ao levantar os olhos, Jonas fita Carla, que pede desculpas pelo atraso e logo apresenta sua amiga, Andréia. Jonas observa rapidamente Andréia antes de levantar-se do banco para cumprimentá-la, o bastante para sentir algumas sensações estranhas, diferentes. Logo, em milésimos de segundos, Jonas começa uma busca na sua mente com o objetivo de definir o que eram as tais sensações. Jonas sempre teve essa mania, talvez obsessão, de definir e caracterizar tudo. Nada o deixava mais aflito do que a dúvida quanto à deifinição de algo. Por isso, era do tipo que escolhia a certeza chata frente a dúvida interessante, o que por várias vezes o prejudicou. Jonas inclusive já tentara acabar com essa necessidade, claramente não conseguiu. Até porque já não era essa a sua crise existencial da semana.
Sim, ele consegue definir o que sentiu como "levemente atraído por Andréia".
Ao cumprimentar Andréia com um beijo no rosto e dizer que era um prazer, Jonas ouve da moça que já não era a primeira vez que eles eram apresentados. Os dois já haviam sido apresentados algumas semanas antes, em uma das salas de aula do cursinho.
Não era a primeira vez que Jonas se via nessa situação. Sua mente volta no tempo aproximadamente três anos. Ele encontra-se no escritório, onde ainda trabalha, quando uma colega de trabalho apresenta-lhe Catarina, em uma situação bastante parecida com a que ocorria no cursinho. Catarina é muito bonita, ao ponto de fazer Jonas rotular suas sensações com um “muito atraído por Catarina”. Ao cumprimentá-la, dizendo que era um grande prazer, Jonas também é surpreendido pelo fato de que ambos já haviam sido apresentados. Em um epifânia de coragem e inteligência, Jonas responde de pronto: "Sabe como é, tenho tentado conhecer o maior número de pessoas ultimamente, seria um grande prazer conhecê-la, ainda mais você, duas vezes."
Sobre o namoro que se engatou por volta de um mês depois da segunda apresentação, Jonas sentiu e sente um turbilhão de sensações. Ultimamente ele tem definido que foi feliz, mas isso pode mudar caso surja uma nova lembrança ruim. Jonas tem alguns problemas de memória. Mas uma coisa ele nunca esqueceu: semanas depois de começar a namorar Catarina, ela revelou que foi na segunda apresentação, mas especificamente com aquela frase engraçadinha que ela passou a vê-lo com outros olhos. Teria sido o primeiro e certeiro passo na sua difícil conquista do coração de Catarina.
O Jonas que está sentado no banco do cursinho encontra-se temporalmente a um ano do término com Catarina. Pouca coisa mudou de lá pra cá, exceto que ele perdeu algum peso, suas crises de consciência deixaram de ser mensais para tornarem-se semanais e seu problema de memória, que já foi chamado de charme, definiu-se agora como um defeito, tornando-se mais crônico.
Depois da lembrança Jonas põe-se a pensar sobre como deveria responder Andréia. Com toda a modéstia a parte, ele se lembra da sua frase certeira, que abriu grandes possibilidades para o namoro posterior com Catarina. Talvez aplicá-la novamente tenha resultado igual ou parecido, quem sabe.
Mas Jonas decide que não. Responde Andréia dizendo que não se recordava dela, causando instantaneamente um mal-estar entre os três presentes. Acontece que a lembrança de Catarina ocupou sua mente de modo que nada melhor lhe ocorrera.
Leva tempo para entender a ação de Jonas, mais tempo ainda para tomar atitude parecida. É certo que não poderia dar a Andréia uma frase que já havia dado anteriormente a alguém que fora tão importante em sua vida. Ou melhor, é certo que ele não queria dá-la. Aquela frase seria apenas de Catarina, como um presente, não importando o fato de estarem juntos, de terem tido tristeza ou felicidade no relacionamento, do término ter sido traumático ou qualquer coisa relativa as lembranças que agora pululam em seu pensamento.
Isto porque o que vale na vida são essas lembranças, boas ou ruins. E o fim do namoro com Catarina, bem ou mal, representou uma gama de recordações, as quais por natureza devem permanecer no passado.
Lembrar da infância, por exemplo, é realmente uma coisa mágica, mas não significa que devamos brincar de esconde-esconde depois de adultos. Ainda mais: Jonas percebeu que se o fizesse, estaria profanando as lembranças da sua juventude, transformando-as em menos específicas do que são, e por isso, menos importantes.
Jonas entendeu que é muito mais importante aquilo que se dá às pessoas frente ao que se recebe. Isto porque o que se dá é interno, e por isso, inexpugnável.
Ele acredita que cada fim é um recomeço, mas que não é bom um recomeço qualquer. E ele quer que seus “recomeços” não sejam melhores nem piores, apenas diferentes. Mesmo que isso faça o clima pesar entre ele e suas amigas. Aquilo que deveras importa, que acontece internamente, que é subjetivo, nunca será atingido por clima ou mal-estar. Nem tampouco deixa de ser com o tempo. Aquilo que é interno, muitas vezes incontrolável, é aquilo que é. Simples e complicado assim.
E Catarina, sabendo ou não, para sempre terá o seu presente garantido. Assim como a sua parte do passado de Jonas.
Sem palavras...
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