quinta-feira, 23 de julho de 2009

Jonas

Jonas está sentado no banco do cursinho preparatório esperando sua amiga, Carla, a qual é sua colega de estudos. Enquanto a aguarda, ela que quase sempre se atrasa, Jonas lê sua apostila, atividade que normalmente o deixa em estado hipnótico, do tipo que não percebe nada do que ocorre no exterior. Este estado é interrompido com uma batida em seus ombros. É Carla, acompanhada de uma amiga.

Ao levantar os olhos, Jonas fita Carla, que pede desculpas pelo atraso e logo apresenta sua amiga, Andréia. Jonas observa rapidamente Andréia antes de levantar-se do banco para cumprimentá-la, o bastante para sentir algumas sensações estranhas, diferentes. Logo, em milésimos de segundos, Jonas começa uma busca na sua mente com o objetivo de definir o que eram as tais sensações. Jonas sempre teve essa mania, talvez obsessão, de definir e caracterizar tudo. Nada o deixava mais aflito do que a dúvida quanto à deifinição de algo. Por isso, era do tipo que escolhia a certeza chata frente a dúvida interessante, o que por várias vezes o prejudicou. Jonas inclusive já tentara acabar com essa necessidade, claramente não conseguiu. Até porque já não era essa a sua crise existencial da semana.

Sim, ele consegue definir o que sentiu como "levemente atraído por Andréia".

Ao cumprimentar Andréia com um beijo no rosto e dizer que era um prazer, Jonas ouve da moça que já não era a primeira vez que eles eram apresentados. Os dois já haviam sido apresentados algumas semanas antes, em uma das salas de aula do cursinho.

Não era a primeira vez que Jonas se via nessa situação. Sua mente volta no tempo aproximadamente três anos. Ele encontra-se no escritório, onde ainda trabalha, quando uma colega de trabalho apresenta-lhe Catarina, em uma situação bastante parecida com a que ocorria no cursinho. Catarina é muito bonita, ao ponto de fazer Jonas rotular suas sensações com um “muito atraído por Catarina”. Ao cumprimentá-la, dizendo que era um grande prazer, Jonas também é surpreendido pelo fato de que ambos já haviam sido apresentados. Em um epifânia de coragem e inteligência, Jonas responde de pronto: "Sabe como é, tenho tentado conhecer o maior número de pessoas ultimamente, seria um grande prazer conhecê-la, ainda mais você, duas vezes."

Sobre o namoro que se engatou por volta de um mês depois da segunda apresentação, Jonas sentiu e sente um turbilhão de sensações. Ultimamente ele tem definido que foi feliz, mas isso pode mudar caso surja uma nova lembrança ruim. Jonas tem alguns problemas de memória. Mas uma coisa ele nunca esqueceu: semanas depois de começar a namorar Catarina, ela revelou que foi na segunda apresentação, mas especificamente com aquela frase engraçadinha que ela passou a vê-lo com outros olhos. Teria sido o primeiro e certeiro passo na sua difícil conquista do coração de Catarina.

O Jonas que está sentado no banco do cursinho encontra-se temporalmente a um ano do término com Catarina. Pouca coisa mudou de lá pra cá, exceto que ele perdeu algum peso, suas crises de consciência deixaram de ser mensais para tornarem-se semanais e seu problema de memória, que já foi chamado de charme, definiu-se agora como um defeito, tornando-se mais crônico.

Depois da lembrança Jonas põe-se a pensar sobre como deveria responder Andréia. Com toda a modéstia a parte, ele se lembra da sua frase certeira, que abriu grandes possibilidades para o namoro posterior com Catarina. Talvez aplicá-la novamente tenha resultado igual ou parecido, quem sabe.

Mas Jonas decide que não. Responde Andréia dizendo que não se recordava dela, causando instantaneamente um mal-estar entre os três presentes. Acontece que a lembrança de Catarina ocupou sua mente de modo que nada melhor lhe ocorrera.

Leva tempo para entender a ação de Jonas, mais tempo ainda para tomar atitude parecida. É certo que não poderia dar a Andréia uma frase que já havia dado anteriormente a alguém que fora tão importante em sua vida. Ou melhor, é certo que ele não queria dá-la. Aquela frase seria apenas de Catarina, como um presente, não importando o fato de estarem juntos, de terem tido tristeza ou felicidade no relacionamento, do término ter sido traumático ou qualquer coisa relativa as lembranças que agora pululam em seu pensamento.

Isto porque o que vale na vida são essas lembranças, boas ou ruins. E o fim do namoro com Catarina, bem ou mal, representou uma gama de recordações, as quais por natureza devem permanecer no passado.

Lembrar da infância, por exemplo, é realmente uma coisa mágica, mas não significa que devamos brincar de esconde-esconde depois de adultos. Ainda mais: Jonas percebeu que se o fizesse, estaria profanando as lembranças da sua juventude, transformando-as em menos específicas do que são, e por isso, menos importantes.

Jonas entendeu que é muito mais importante aquilo que se dá às pessoas frente ao que se recebe. Isto porque o que se dá é interno, e por isso, inexpugnável.

Ele acredita que cada fim é um recomeço, mas que não é bom um recomeço qualquer. E ele quer que seus “recomeços” não sejam melhores nem piores, apenas diferentes. Mesmo que isso faça o clima pesar entre ele e suas amigas. Aquilo que deveras importa, que acontece internamente, que é subjetivo, nunca será atingido por clima ou mal-estar. Nem tampouco deixa de ser com o tempo. Aquilo que é interno, muitas vezes incontrolável, é aquilo que é. Simples e complicado assim.


E Catarina, sabendo ou não, para sempre terá o seu presente garantido. Assim como a sua parte do passado de Jonas.

domingo, 12 de julho de 2009

Liderança

Um bom líder é aquele em que o grupo pode contar sempre, em todas as horas. principalmente quando as coisas dão errado e precisa-se de alguém para levar a culpa.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Provas e penas

O Direito Penal opera, a grosso modo, com dois tipos de crimes: os dolosos e os culposos. Os crimes dolosos são aqueles em que o agente que tem a intenção de praticá-los. Já nos crimes culposos, o que ocorre é que o agente criminoso acabou por agir com negligência, imperícia e imprudência e acabou causando o estrago.

Acontece que existe um pormenor nessa divisão da vontade do agente: o dolo eventual ou indireto. Esta categoria é um meio termo, que facilmente é questionada em tribunais, porém ela existe. O lance é o seguinte: Dolo eventual é quando o agente pratica uma ação em que assume o risco de causar um estrago criminoso. Passar no farol vermelho, por exemplo. O que difere o dolo eventual do crime culposo é o seguinte: duas da manhã, eu penso “vou passar no semáforo vermelho, esse lugar é muito perigoso, mas espero que não vá bater em ninguém” ou “são duas da manhã, que se foda, vou passar no semáforo e se bater não to nem aí!”. No caso de ocorrer um acidente, no primeiro caso foi culposo, e no segundo teve dolo indireto. As diferenças são tênues e são os operadores da lei que devem percebê-las e considerá-las.

O que ocorre é o seguinte: em data recente, decidi pela quinta vez na semana desencanar da Mariazinha. Não sei bem o motivo, mas com certeza deve ser pedante e contraditório, bem ao meu estilo. Em todo caso, não me comunicaria mais com a mesma, até segunda ordem.

Com minha chegada após um fatídico plantão, eis que recebo a notícia de meu pai que uma mulher havia me ligado. E meu pai não pega recado nenhum, do que eu não posso reclamar porque também não pego recado algum. Acho declassé demais. Enfim, não tenho o nome da mulher que havia ligado.

Nesse momento, encarna-se no homem um vestibulando eliminando as alternativas menos plausíveis. A primeira delas é que tenha sido a mulher da Claro, a operadora do celular, com quem eu já tive várias conversas agradáveis sobre assuntos supimpas, entre eles, promoções, Claro Clube e créditos de graça. Mas por ter sido uma ligação noturna, umas 23 horas, acredito que nesse país o Código do Consumidor funciona e nenhuma empresa de telemarketing apurrinha os cidadãos à noite.

Bem, sobram duas possibilidades: A Mariazinha teria ligado pra dizer que me ama loucamente ou uma ex-ficante, a Joaninha, teria ligado por qualquer motivo. Preciso eliminar as possibilidades antes de tomar alguma atitude.

Quanto a Joaninha, o que dizer... Bem ela é uma pessoa excêntrica. Com certeza, por merecimento e tempo de serviço, um conto para descrevê-la é necessário. Talvez depois. Nossa atual relação consiste em ligações esporádicas e insanas. Ela é a mulher que sempre, às vezes, me liga.

Em todo caso, eu ligo para ela. Após uma breve conversa, vou direto ao ponto:
- Oi Joaninha, foi você que me ligou ontem?
- Não, cara, desculpa... Mas não fui eu. -ela se desculpa como alguém que dá um fora no cara que subiu em um helicóptero e jogou pétalas de rosa no seu trabalho.
- Pô, então beleza. Vamos marcar qualquer coisa um dia desses, pra jogar conversa fora.
- Opa, claro! Mas sabe como é, tô muito ocupada, minha vida tá uma loucura... - Ela desenfreia a falar coisas desimportantes, cretinas e tediosas. Com muito custo, eu consigo desligar. A informação que eu queria foi conseguida. Só sobrou a Mariazinha!

Depois de passar horas raciocinando, ponderando como um vestibulando, bate o cansaço e acabo não retornando ligação de ninguém

Para minha surpresa, no dia seguinte em um primeiro horário, recebo uma ligação da Joaninha. O fato de ser uma ligação matinal revela uma noite mal dormida de sono, provavelmente pelo fato dela ter remoído minhas palavras, o que, acreditem, é bastante comum vindo da Joaninha. Ela é excêntrica, eu já disse.

Na ligação, ela passa a pedir desculpa (mais uma vez no tom “não é você, sou eu”) porque acredita ter sido grossa na noite anterior. Eu que já não sou assim muito de conversa pela manhã (nem de ganhar, como diria um Camelo), falo que nem achei ela grossa. Ela responde:

- Sabe o que acontece, eu também quero pedir desculpas por falar que a gente vai sair. Não vai rolar, sabe, porque eu tô com uma vida muito corrida, muito ocupada – inicia-se mais uma vez o monólogo de coisas desimportantes, cretinas e tediosas.

Eu explico a ela que muitas vezes as pessoas dizem que vão sair umas com as outras “um dia desses” apenas como forma de desenrolar um assunto. Nem sempre, ou quase nunca pra ser mais preciso, significa que elas irão sair nesses dias. Eu mesmo, eu disse a ela, havia dito que saíria num fim-de-semana desses, porém tenho agenda lotada até 2015.

Ela acaba desligando o telefone com raiva.

É, caro leitor, você deve estar pensando como eu me envolvo com pessoas loucas. Mas aqui vai um pensamento: acredito naquela música do Chico Buarque (Ciranda da Bailarina) devia ser incluído um verso: “futucando bem todo mundo tem pereba/ marca de bexiga ou vacina/ Todo mundo tem uma ex-namorada meio doida/ só a bailarina que não tem”. Todo mundo já deixou alguém que colou as placas da bateria. No que diz respeito a relacionamento, essas pessoas são minha especialidade.

Mas algo ocorre de filosófico nessa história: como as pessoas vicenciam de forma diferenciada uma mesma experiência. Tentar descobrir se a Joaninha tinha me ligado acarretou um profundo parafuso (ou falta de parafuso) de idéias na mente da garota. Pode parecer prepotência, mas é bem próprio da Joaninha virar a noite pensando sobre uma idiotice que falei e no primeiro horário da manhã ou mesmo da madrugada, me ligar. O que pra mim pode ser uma grande bobisse, pra outra pessoa pode ser coisa séria, ou vice versa.

O que eu me pergunto é quanto do resultado provocado na Joaninha foi culposo. Será que eu não tive a intenção de desvairar a moça? Ou pelo menos, assumi tal risco?
Pense bem: quanto das experiências traumáticas que já vivenciamos ou testemunhamos não têm um pouquinho de dolo eventual das partes envolvidas.

Bem, isso de pensar essas coisas está me desvairando. Considero, agora, que cabe aos outros operadores da lei (nossa consciência, Deus, ambos ou nenhum dos dois) separar o que nossas ações têm de culposo e doloso, e aplicar eventuais punições.

Sei que no fim, acabei não ligando para a Mariazinha pra tirar a prova real da sua suposta ligação. Sei lá, to achando meio perigoso, com possibilidades de traumas para ambas as partes e definitivamente não estou disposto a assumir o risco.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Pra manter ou mudar.

Antes de começar, é digno de nota que eu realmente plagiei o título dessa crônica de uma música do Moveis Coloniais de Acaju. Minha opinião: esse novo Cd (Complete) é um dos melhores cd’s lançados em 2009, e pode ser baixado de graça aqui.

Nesse exato momento, encontro-me aterrorizado pela possibilidade de várias mudanças, principalmente no meio profissional. Engraçado como a gente vive reclamando sobre como está miserável mas quando aparece uma mudança cria um temor absurdo, fica ressabiado e cabisbaixo.

Isso me leva a pensar a carga negativa que existe em volta de uma mudança. Isso porque ninguém quer realmente mudar. Fato. Um bom exemplo é o de um colega de trabalho reclamão, inerte e chato. Ninguém gosta muito de trabalhar com ele, suas reclamações fazem qualquer plantão de 12 horas se transformar na nova temporada de “24 horas”, menos pela emoção, mais pela tensão que se cria em volta das reclamações. Ainda por cima é preguiçoso, do tipo que quer que “o mundo acabe em barranco para morrer encostado”, frase proferida pelo líder dos Homens Brutos, Marreta, em uma conferência.

Em todo caso, esse homem inerte é surpreendido por um mudança, por exemplo uma demissão, uma mudança de cargo, uma mudança de local de trabalho. Já não é mais hora de reclamar, não há mais tempo para isso. Eis o que impressionantemente ocorre: ele começa uma grande mobilização para que as mudanças sejam canceladas. Liga pra um, fala com outro, chega até a ser gentil com a chefe e com seus colegas, pedindo apoio para sua mobilização pró-situação. O incrível é que não são raras as vezes em que o cara chega a prometer mudar, deixar de ser chato e preguiçoso para continuar onde está. Mudar para não mudar.

Talvez todas as mobilizações e mudanças da vida ocorrem justamente com o intuito de não haver mudanças. Chego a pensar como era difícil para um nômade viver mudando, deixando um local com o qual eventualmente tinha laços afetivos, para viver em outro, quase sempre desconhecido, que poderia abrigar vários perigos, etc. Um belo dia a vontade de não mudar foi mais forte do que a necessidade de mudar e eis que surge o sedentarismo. O homem passa a criar animais, plantar alimentos, construir casas mais sólidas, etc. Interessante que essa mudança de atitude, de nômade a sedentário, é tida como grande responsável pela formação da civilização. A vontade não mudar movimenta o mundo.

O problema de não querer mudar é que o ser humano consegue se acostumar com qualquer coisa, tanto ruins quanto boas. Ser demitido é quase tão doloroso quanto mudar para um emprego melhor. Os laços são cortados, a sensação de não saber o que vem pela frente é parecida, a sádica saudade floresce no peito (mais uma vez, Móveis).
Terminar um namoro com algum cretino traz quase tanta dor quanto perder o amor da sua vida.

Embora eu tenha vários exemplos na manga, vou acabar usando um meu. Sempre fui um cara desprendido de coisas materiais e adepto da “Lei do Mínimo Esforço”. Para quem não conhece, essa libertadora lei tem como princípio único a seguinte máxima: “se uma coisa precisa de mais de dez passos para ser feita, essa coisa não merece ser feita em hipótese alguma”. Por isso, há tempos ando com meu carrinho velho, sem crises. Na verdade, só o lavo e conserto os seus problemas mecânicos quando representa algum perigo não fazê-lo, por exemplo, ficar parado na Imigrantes, com o pneu furado em um dia nebuloso. Como dificilmente a sujeira do carro o impede de andar, eu acabo não lavando nada, nunca. Ele só parou até hoje uma vez por causa da sujeira e foram precisas várias lavagens para que ele votasse a andar. Acho que ele tinha ficado em depressão pelo visual rústico que eu lhe incutia.

Em passado recente fiz uma viagem para a grande Bertioga e eis que meu motor e meu pneu vão pro saco no meio da Rodovia dos Imigrantes como acima relatado. Com muito esforço, após trocar o pneu, faço-nos chegar ao Guarujá onde um mecânico conserta as velas do carro e me cobra R$ 20,00 pelo serviço. Acontece que de forma xamânica, o mecânico-benzedeiro coloca a mão sobre o motor do meu carro e após alguns segundos recebendo as vibrações, diz categoricamente:

- Esse motor está no bico do urubu! – e olha pra mim, com grande espanto e gravidade, praticamente em transe.

- É!?..... que coisa...tá no bico do corvo, então!? – eu tento amenizar a situação, com um sorriso amarelo.

-Não, está no bico do urubu! – ele encerra a questão, voltando logo depois ao seu estado normal de consciência.

Bem, eu saio da oficina humilhado. A simbologia por trás das palavras do mecânico-xamã me atordoava. Meu motor estava só a carniça, nem um corvo, ave nobre e bela, o queria. Só um urubu eventualmente poderia querê-lo. É isso, tenho que trocar de carro. Prometo pra mim mesmo que trocarei de carro, ainda mais em meio às zuações dos meus amigos que presenciaram o diagnóstico do motor.

Bem, aqui em São Paulo, após ter subido a serra com urubus me seguindo o tempo todo, acabei comprando um novo pneu, um jogo de velas sobressalente e o mais importante, uma chave para trocar as velas. Qualquer problema, antes que aves cheguem ao meu redor, posso fazer a troca das velas sem embargo. Sem contar que acho coisa de Homem Bruto parar na estrada, abrir o capô do carro, pegar uma ferramenta, se sujar de graxa e aparecer assim em um casamento, por exemplo. É sexy!

Em resumo, a promessa de trocar de carro virou letra morta.

Repito, nós seres humanos temos a predisposição de nos acostumar a qualquer coisa, seja ela boa ou ruim. E o pior, mesmo em uma situação ruim lutamos para que não haja mudanças em nossas vidas. Seja você que não quer um relacionamento e prefere ficar sozinho, seja você que cria sentimentos pelo seu carro que sempre te deixa na mão, seja você que trabalha longe de casa em um emprego de merda e não procura outro.

Na grande maioria de palestras motivacionais, livros de auto-ajuda, etc, não é a ordem “mude” citada incessantemente?

As mudanças ocorrem queiramos ou não. As coisas terminam, começam, se adiam, se suspendem, viram pó. Por isso, é bom se acostumar com a mudança, com o fim e com o começo das coisas, embora seja tarefa bastante difícil. Saiba, nessa vida todos teremos agonias constantes, tudo por causa da própria inconstância. Um conselho, usando mais uma vez Móveis, é que “se a vida lhe propõe certas agonias, melhor se prevenir e não ser sadomasoquista”.

Em todo caso, não sei qual circulação que essa crônica tem, mas gostaria de deixar um anuncio:

Vende-se carro com o motor no bico do urubu. Ele tem todos os anos, todos os quilômetros, mas a chave para trocar a vela vai inclusa no pacote.